sexta-feira

O Anjo e o Resto de Nós


Leticia Wierzchowski me faz lembrar um pouco de Gabriel Garcia Marquez. Uma leitura tão lúdica quanto, mas bem menos densa. Me diverti demais!







" Sempre que Apolinário ia ter um de seus ataques, Macumba tratava de avisar Violeta para que ela ficasse atenta. Se era ataque de comer as samambaias, Violeta e Margarida já começavam a cantarolar baixinho antes que o pai se metesse pelo corredor da selva; se era vontade de comer os canteiros, já se fazia leite com mel."

" Margarida tratou de rezar uma novena pelas almas da família, que andavam perdidas em pecado e fornicação. Por isso não podia entender porque Deus lhes mandara Emanuel. Afinal, o que fazia um anjo no meio daquela loucura de ateus e prostitutas e loucos de malancolia, como Apolinário? Mas Margarida não ousou contar ao padre sobre as asas do sobrinho, pois Gardênia disse que o clero haveria de confiscar o menino para enfeitar o Vaticano."

"Margarida decepcionou-se: imaginara que o menino cairia de joelhos ante a imagem do Cristo,...Pegou o sobrinho pela mão e indagou-lhe porque não chorava nem fazia um milagre, nem nada.(...)
- Não se iluda tia Margarida, Deus não mora aqui. No máximo, vem de visita.
- E mora onde, meu filho? - perguntou ela, ansiosa.
Emanuel que, apesar de anjo nunca tinha visto Deus, confundiu-o com o fantasma do pobre Macumba, que vira tantas vezes de conversa com Ariel, e respondeu:
- Mora na clarabóia lá de casa. E é preto."




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