segunda-feira

La piel que habito, 2011 de Pedro Almodóvar



Quando um diretor de cinema tem uma maneira peculiar de filmar, quando tem traços característicos demais na composição do seu filme como um todo, quando tem uma direção de arte arrojada, onde detectamos sua mão a quilômetros de distância, fica difícil de absorver quando ele resolve mudar tudo. Ou melhor, resolve mudar muito.
Almodóvar mudou muito. Ainda que o roteiro tenha tudo de Almodóvar, sim o roteiro é a cara dele, a linguagem mudou. A direção de arte tomou outro rumo. O que vemos na tela é clean, a não ser 'no mundo do brechó', vemos aquelas cores fortes, da alma espanhola bem almodovariana apenas nos detalhes. Nos quadros na parede da casa de Antonio Banderas, nos livros que lê, na fantasia de tigre (aliás aquele personagem é típico), são só pitadas de todo aquele visual over que tanto lhe é característico, e que tanto amamos por esses anos todos.
O roteiro? Almodóvar mais maduro, mas sempre Almodóvar. Uma reflexão sobre aonde podemos chegar com a ciência, e se o homem está preparado de fato para ela. Vale tudo para obter nossas respostas?
O sexo, sempre presente na mensagem subliminar dos filmes do diretor está bem mais despudorado. Os Édipos e Electras estão mais óbvios. Ele deixa para trás aquela abordagem dos tabus contidos, como se escancarar aquele sentimento fosse proibido. O drama tragi-cômico deu lugar para o suspense, mas do mesmo jeito, tensos, não conseguimos tirar os olhos da tela.
Acho que toda essa mudança dá uma nova perspectiva para o cinema do diretor. Bom ou ruim? Não sei, com certeza uma nova fase. De modo geral, saí do cinema me perguntando: será que daqui para frente ainda vamos conseguir bater o olho em um filme e poder afirmar, sem dúvida, que é um filme de Pedro Almodóvar?

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