quinta-feira

O Palhaço, 2011 de Selton Melo



Sutil. Palavra que encontrei para descrever o novo filme do Selton Melo. Adoro os bastidores do mundo do circo, mas aquele circo mambembe, que perambula em busca de público, pra quem mostrar sua arte. E aí, por trás de todo aquele espetáculo existe a vida real, logo atrás da lona, a labuta desses artistas. Selton, o palhaço do circo, vive sem encontrar muita graça na vida que vive, não vê muito sentido em fazer todo mundo rir quando ele próprio vive triste, achando que precisa trazer o problema de todos nas costas. Foi preciso se afastar, desistir daquela vida. Quando foi embora se aceitou. E quando se aceitou, percebeu que os problemas da vida acabam se resolvendo de alguma forma.
Na época dos roteiros elaborados fica um espaço para o filme do Selton, falar de aceitação quando a sociedade está colocando a individualidade em extinção é um bom momento, os jovens saem da adolescência impregnados pelo sentimento de pertencer e assim permanecem, vivendo vidas de guetos, blocos, com pensamentos e atitudes relativas ao que convém a maioria. Um assunto para outra hora...
Voltando ao longa, a caracterização dos personagens está extremamente bem feita, uma luz sépia dá o tom da vegetação e poeira dos caminhos por onde andavam. Gosto muito das câmeras do novo cineasta. Inusitadas, detalhes para depois revelar o todo, planos gerais bem enquadrados, mas tudo sem muita afetação, servindo apenas para contar uma história.
E gosto mesmo do filme quando o palhaço se aceita, percebe que é bom viver de fazer os outros rirem, descobre o valor que tem ali e gosta do que vê. "O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço". Sim, existem coisas que nascemos para fazer, queiramos nós ou não.

3 comentários:

Leo|mascaro disse...

ótimo texto Sá! tão sutil e singelo quando o filme!

preciso assistir outra vez... acho que não estava num bom dia!

bjo,
Leo

sabrina. disse...

é um filme sismples, mas muito bem feito acho. estamos sempre esperando coisas tão elaboradas que o simples acaba ficando pequeno. o filme dele é como olhar um por do sol.
beijo querido!

deimos disse...

Ninguém daria atenção ao Selotn Melo se ele fosse um palhaço de verdade trabalhando num circo fuleragem de verdade.

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